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Estudo revela avanço nos rendimentos, mas mantém acentuadas desigualdades raciais no Rio Grande do Sul

Estudo revela avanço nos rendimentos, mas mantém acentuadas desigualdades raciais no Rio Grande do Sul
20.11.2025 08h03  /  Postado por: villaadriano

Um levantamento divulgado pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE), vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão, mostra que, embora todos os grupos raciais tenham registrado aumento de rendimentos entre 2015 e 2025 no Rio Grande do Sul, as diferenças salariais permanecem expressivas. O estudo integra o documento ODS 18 – Igualdade Étnico-Racial no Brasil, produzido pelos pesquisadores Felipe Nathan dos Santos e Gabriele dos Anjos, sob coordenação de Mariana Pessoa, e reúne 137 indicadores relacionados às desigualdades enfrentadas por povos indígenas, afrodescendentes e outros grupos sujeitos à discriminação.

Os dados mostram que pessoas brancas tiveram aumento de 13,6% na renda ao longo da década, enquanto pardas registraram avanço de 27,5% e pretas, de 19,4%. Apesar de o crescimento proporcional ter sido maior entre pardas e pretas, o abismo salarial se manteve significativo em 2025: no primeiro trimestre do ano, pessoas brancas receberam, em média, R$ 3.981; pardas, R$ 2.733; e pretas, R$ 2.527. O comportamento nacional foi semelhante, com rendimentos médios de R$ 4.295 para brancos, R$ 2.602 para pardos e R$ 2.526 para pretos.

O estudo também analisou a informalidade entre pessoas de 14 anos ou mais. No Rio Grande do Sul, a taxa caiu entre todos os grupos raciais entre 2016 e 2025. Ainda assim, as pessoas pardas mantiveram o maior índice (33,8%), seguidas das brancas (30,7%) e das pretas (30,5%). No Brasil, a informalidade de 2025 recuou entre pardas e pretas, mas aumentou entre brancas. Mesmo com essa variação, pardas seguiram liderando o indicador nacional, com 42,9%, seguidas das pretas (40,6%) e das brancas (32,3%).

Outro eixo destacado pelo ODS 18 trata da violência e do encarceramento. No Rio Grande do Sul, a taxa de violência contra pessoas brancas heterossexuais saltou de 46,1 para 97,4 por 100 mil habitantes entre 2015 e 2024, um aumento de 111,6%. Entre pessoas negras heterossexuais, a taxa passou de 55,3 para 86,6, crescimento de 56,8%. No grupo autodeclarado como “outro” em relação à orientação sexual, houve alta de 19,8% entre brancos e queda de 5,6% entre negros.

As taxas de encarceramento masculino também chamam atenção. Entre 2016 e 2024, o aumento foi de 46,9% entre homens negros no Brasil e 32,5% no Rio Grande do Sul. Entre homens brancos, o avanço foi de 22,6% nacionalmente, enquanto no Estado o salto chegou a 51,1%. Já os processos por injúria racial cresceram entre 2020 e 2024. No Brasil, foram 14,55 registros por 100 mil habitantes, com 88% das ocorrências motivadas por raça ou cor. No Rio Grande do Sul, a taxa foi de 5,36 por 100 mil habitantes, sendo 86% referentes ao mesmo tipo de motivação.

O estudo também avaliou a representatividade política. Nas eleições municipais de 2016 e 2020, pessoas brancas corresponderam a 66,4% e 63,4% das candidaturas a prefeito no Brasil, percentuais acima da proporção de brancos na população, que é de 43,5%. Entre candidatos a vereador, os números foram de 50,5% e 47,7%, respectivamente.

No Rio Grande do Sul, a discrepância foi ainda maior. Candidatos brancos à prefeitura representaram 96,6% em 2016 e 96,8% em 2020, enquanto para vereador atingiram 89,6% e 86,7%. Entre os eleitos, prefeitos brancos corresponderam a 98,3% em 2016 e 98,2% em 2020, e vereadores, a 95,1% e 93,7%. Esses índices contrastam com a composição racial do Estado, formado por 78,4% de pessoas brancas.

O conjunto de dados reforça a persistência das desigualdades raciais no estado e no país, mesmo em áreas onde houve avanços. O ODS 18, adotado voluntariamente pelo Brasil, busca orientar políticas públicas, monitorar indicadores e ampliar o enfrentamento às desigualdades estruturais que ainda afetam milhões de pessoas.

Com informações: Jornalista Fernando Kopper

Fonte: Departamento de Economia e Estatística (DEE)

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