Estudo revela avanço nos rendimentos, mas mantém acentuadas desigualdades raciais no Rio Grande do Sul
Um levantamento divulgado pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE), vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão, mostra que, embora todos os grupos raciais tenham registrado aumento de rendimentos entre 2015 e 2025 no Rio Grande do Sul, as diferenças salariais permanecem expressivas. O estudo integra o documento ODS 18 – Igualdade Étnico-Racial no Brasil, produzido pelos pesquisadores Felipe Nathan dos Santos e Gabriele dos Anjos, sob coordenação de Mariana Pessoa, e reúne 137 indicadores relacionados às desigualdades enfrentadas por povos indígenas, afrodescendentes e outros grupos sujeitos à discriminação.
Os dados mostram que pessoas brancas tiveram aumento de 13,6% na renda ao longo da década, enquanto pardas registraram avanço de 27,5% e pretas, de 19,4%. Apesar de o crescimento proporcional ter sido maior entre pardas e pretas, o abismo salarial se manteve significativo em 2025: no primeiro trimestre do ano, pessoas brancas receberam, em média, R$ 3.981; pardas, R$ 2.733; e pretas, R$ 2.527. O comportamento nacional foi semelhante, com rendimentos médios de R$ 4.295 para brancos, R$ 2.602 para pardos e R$ 2.526 para pretos.
O estudo também analisou a informalidade entre pessoas de 14 anos ou mais. No Rio Grande do Sul, a taxa caiu entre todos os grupos raciais entre 2016 e 2025. Ainda assim, as pessoas pardas mantiveram o maior índice (33,8%), seguidas das brancas (30,7%) e das pretas (30,5%). No Brasil, a informalidade de 2025 recuou entre pardas e pretas, mas aumentou entre brancas. Mesmo com essa variação, pardas seguiram liderando o indicador nacional, com 42,9%, seguidas das pretas (40,6%) e das brancas (32,3%).
Outro eixo destacado pelo ODS 18 trata da violência e do encarceramento. No Rio Grande do Sul, a taxa de violência contra pessoas brancas heterossexuais saltou de 46,1 para 97,4 por 100 mil habitantes entre 2015 e 2024, um aumento de 111,6%. Entre pessoas negras heterossexuais, a taxa passou de 55,3 para 86,6, crescimento de 56,8%. No grupo autodeclarado como “outro” em relação à orientação sexual, houve alta de 19,8% entre brancos e queda de 5,6% entre negros.
As taxas de encarceramento masculino também chamam atenção. Entre 2016 e 2024, o aumento foi de 46,9% entre homens negros no Brasil e 32,5% no Rio Grande do Sul. Entre homens brancos, o avanço foi de 22,6% nacionalmente, enquanto no Estado o salto chegou a 51,1%. Já os processos por injúria racial cresceram entre 2020 e 2024. No Brasil, foram 14,55 registros por 100 mil habitantes, com 88% das ocorrências motivadas por raça ou cor. No Rio Grande do Sul, a taxa foi de 5,36 por 100 mil habitantes, sendo 86% referentes ao mesmo tipo de motivação.
O estudo também avaliou a representatividade política. Nas eleições municipais de 2016 e 2020, pessoas brancas corresponderam a 66,4% e 63,4% das candidaturas a prefeito no Brasil, percentuais acima da proporção de brancos na população, que é de 43,5%. Entre candidatos a vereador, os números foram de 50,5% e 47,7%, respectivamente.
No Rio Grande do Sul, a discrepância foi ainda maior. Candidatos brancos à prefeitura representaram 96,6% em 2016 e 96,8% em 2020, enquanto para vereador atingiram 89,6% e 86,7%. Entre os eleitos, prefeitos brancos corresponderam a 98,3% em 2016 e 98,2% em 2020, e vereadores, a 95,1% e 93,7%. Esses índices contrastam com a composição racial do Estado, formado por 78,4% de pessoas brancas.
O conjunto de dados reforça a persistência das desigualdades raciais no estado e no país, mesmo em áreas onde houve avanços. O ODS 18, adotado voluntariamente pelo Brasil, busca orientar políticas públicas, monitorar indicadores e ampliar o enfrentamento às desigualdades estruturais que ainda afetam milhões de pessoas.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Departamento de Economia e Estatística (DEE)




