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Do campo à conquista: produtor de Espumoso eleva produtividade e se torna exemplo de sucesso na cadeia do leite

Do campo à conquista: produtor de Espumoso eleva produtividade e se torna exemplo de sucesso na cadeia do leite
07.11.2025 09h30  /  Postado por: Luan Tavares

Nos últimos anos, o setor leiteiro no Rio Grande do Sul tem enfrentado uma sequência de obstáculos que colocam à prova a resistência do produtor rural. Entre estiagens prolongadas, excesso de chuvas, altos custos de insumos e a concorrência do leite importado, muitos criadores viram a rentabilidade do trabalho cair drasticamente. Porém, em meio a esse cenário, há histórias que inspiram e mostram que investir em conhecimento, gestão e tecnologia ainda é um caminho possível para prosperar.

É o caso de Ederson Parisotto, produtor da Fazenda São Domingos, em Espumoso, que tem se destacado pelo aumento expressivo na produtividade e pela maneira exemplar com que conduz o negócio da família. Terceira geração de agricultores, ele assumiu a propriedade há 16 anos e, desde então, tem buscado unir o amor pelas vacas, herdado dos avós, com a inovação trazida pela nova era do agronegócio.

Eu devo muito aos meus colaboradores. Eles são meus braços direitos, estão lá todos os dias cuidando das vacas, tratando bem, e isso retorna em forma de leite”, destaca Ederson. O resultado desse empenho está nos números: a média de produção saltou de 21 para 30 litros por vaca, um crescimento que representa não apenas mais renda, mas também mais qualidade de vida para os animais e para a própria família.

Conhecimento e parceria: os pilares do crescimento

Ederson não esconde que o aumento da produtividade tem ligação direta com o apoio técnico oferecido pela Cotriel e pela CCGL (Cooperativa Central Gaúcha Ltda.), que orientam os produtores em dietas, manejo, controle de qualidade e boas práticas agropecuárias.

“A gente conta com o suporte técnico da cooperativa em tudo: alimentação, pastagens, medicamentos, análises de silagem. Hoje, nada é feito no improviso. Tudo é estudado para garantir que o animal receba o que precisa e devolva em produtividade”, explica.

Na Fazenda São Domingos, o dia começa cedo. Às seis da manhã, a ordenha tem início. Cada vaca passa por um rigoroso processo de higienização, limpeza, desinfecção e retirada dos primeiros jatos de leite, antes de o produto ser armazenado no resfriador. O caminhão da cooperativa busca o leite a cada dois dias, e antes do transporte é feita uma análise de acidez. Se algo estiver fora do padrão, o carregamento é imediatamente descartado.

A qualidade é prioridade. O leite precisa estar na temperatura certa, livre de antibióticos e com acidez controlada. Se uma vaca recebe medicação, o leite dela é separado e não vai para o tanque geral”, detalha o produtor.

A matemática do leite: entre o esforço e o retorno

Enquanto no mercado o litro do leite ultrapassa facilmente os R$ 5,00, o produtor recebe cerca de R$ 2,44, menos da metade. E disso ainda precisa cobrir os custos com alimentação, funcionários, medicamentos e manutenção das instalações. “Muita gente acha que o produtor de leite está ganhando bem, mas na verdade o custo é altíssimo. O lucro só vem com muito trabalho e planejamento”, lamenta.

Com 136 animais, entre vacas em lactação, secas e terneiras, a Fazenda São Domingos produziu em outubro quase 40 mil litros de leite. O número é expressivo, mas Ederson lembra que nada vem fácil. “A maior dificuldade é a mão de obra. É um trabalho pesado, sem feriado, sem domingo, com chuva ou frio. Acordamos às cinco da manhã e muitas vezes só paramos à noite. É preciso amor pelo que se faz.”

Tecnologia e sensibilidade: o futuro do campo

Mesmo com o avanço das tecnologias de controle e monitoramento, como coleiras eletrônicas que identificam alterações na ruminação das vacas, Ederson ainda se baseia muito na observação. “Com o tempo, a gente aprende a olhar o animal e saber se ele está bem. Se não comeu, se ficou quieta demais, algo está errado”, comenta.

O sonho para os próximos anos é ampliar a estrutura da fazenda, investindo em conforto térmico e bem-estar animal. “Quero fechar o sistema, ter um ambiente mais controlado para as vacas. Isso melhora a produtividade e facilita o manejo”, projeta.

Crise e esperança: o leite que vem de fora

Entre os maiores desafios para o setor, o produtor cita a concorrência com o leite importado da Argentina e do Uruguai, que chega ao Brasil com preços mais baixos. “O problema é que a gente não sabe como esse leite foi produzido. Aqui, somos muito cobrados em qualidade e rastreabilidade. Lá fora, nem sempre é assim”, alerta.

Essa competição desigual tem levado muitos a desistirem da atividade. “Muitos vizinhos pararam. É triste, porque cada produtor que sai é uma história, uma família que deixa o campo”, diz Ederson.

Orgulho de ser agricultor

Apesar das dificuldades, o produtor mantém o otimismo e o orgulho da profissão. “Eu sempre digo: não abandone a agricultura. O alimento vem dali, tudo começa no campo. É uma vida difícil, mas essencial. Quem puder, fique firme, porque os tempos vão melhorar.”

Enquanto a crise afasta alguns, histórias como a de Ederson Parisotto mostram que ainda há espaço para crescer, com dedicação, cooperação e fé na força do trabalho rural.

“Produzir leite não é só uma atividade econômica. É um modo de vida. E quem continua nesse caminho, continua por amor.”

Com informações: Jornalista Fernando Kopper

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