Crise do leite: Fetag/RS promove série de seminários em novembro para buscar soluções ao colapso do setor
A grave crise enfrentada pelos produtores de leite no Rio Grande do Sul e em todo o país será tema de uma série de seminários regionais promovidos pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag/RS). Os encontros acontecerão nos dias 11 (Teutônia), 13 (Casca), 18 (Palmitinho) e 19 (Santo Cristo) de novembro, reunindo representantes da cadeia leiteira estadual em busca de alternativas para amenizar os prejuízos enfrentados pelo setor.
De acordo com o vice-presidente da Fetag/RS, Eugênio Zanetti, a situação é alarmante e exige medidas urgentes, entre elas o reforço na fiscalização das importações de leite do Mercosul, que vêm pressionando o mercado interno. Segundo ele, apenas em setembro o Brasil importou 190 mil toneladas de leite em pó, um aumento de 40 mil toneladas em relação à média mensal anterior.
“O produtor está recebendo abaixo de R$ 2 por litro, enquanto o Cepea/Esalq/USP aponta que o custo de produção está em pelo menos R$ 2,28. Essa diferença está inviabilizando a atividade”, afirmou Zanetti.
O dirigente destacou ainda o agravamento do endividamento rural e as dificuldades de acesso ao crédito. Muitos agricultores, segundo ele, estão sendo obrigados a oferecer a propriedade como garantia para conseguir financiamento. “É uma pá de cal sobre o produtor. Quem consegue crédito, pega recursos livres com juros de até 20% ao ano”, lamentou.
Além da pressão das importações e do custo elevado, o setor também enfrenta queda acentuada nos preços pagos ao produtor. Neste ano, a produção aumentou 9% no Brasil e 12% no Rio Grande do Sul, o que provocou uma desvalorização de cerca de R$ 0,60 por litro entre maio e agosto, período em que, historicamente, o valor costuma subir.
Com a chegada do calor, o recesso escolar e a redução esperada do consumo, as perspectivas não são animadoras. “É uma situação desesperadora”, resumiu o vice-presidente da Fetag.
Em outra frente, a Fetraf-RS, Unicafes, MST e MPA se reuniram com Vanderley Ziger, Secretário Nacional de Agricultura Familiar e Agroecologia do Ministério do Desenvolvimento Agrário, para discutir medidas emergenciais. As entidades pediram redução das importações, aumento da fiscalização sobre empresas importadoras, incentivos à produção sustentável e de baixo custo, ampliação das compras públicas, estímulo ao consumo interno e revisão do preço de referência do leite no Programa de Garantia de Preço da Agricultura Familiar (PGPAF).
Os seminários promovidos pela Fetag/RS buscam consolidar propostas conjuntas do setor produtivo, sindicatos e cooperativas, para que sejam levadas ao Governo Federal e ajudem a definir políticas públicas que garantam a sobrevivência dos produtores e o futuro da cadeia leiteira gaúcha.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper




