Lucro da Kepler Weber cai 13,5% no 3º trimestre, mas empresa projeta recuperação gradual
A Kepler Weber (KEPL3) registrou lucro líquido de R$ 51,6 milhões no terceiro trimestre de 2025, queda de 13,5% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o relatório de resultados trimestrais divulgado nesta quarta-feira. O Ebitda recuou 20,8%, totalizando R$ 73,6 milhões, enquanto a receita operacional líquida caiu 3,6%, para R$ 423,3 milhões.
Apesar do cenário desafiador, o CEO Bernardo Nogueira destacou a recuperação frente ao segundo trimestre, quando o lucro havia sido de R$ 14,4 milhões, e afirmou que o desempenho reflete uma retomada gradual das vendas e entregas, oferecendo perspectiva de estabilidade para o consolidado de 2025.
A margem líquida do trimestre ficou em 12,2%, recuo de 1,4 ponto percentual, e a margem Ebitda foi de 17,4%, abaixo dos 21,2% de 2024. No acumulado dos nove primeiros meses do ano, o lucro líquido somou R$ 91,5 milhões, queda de 38,5%, e a receita líquida consolidada totalizou R$ 1,09 bilhão, retração de 4,8%.
O diretor financeiro Renato Arroyo explicou que o desempenho foi pressionado por preços elevados, juros altos e restrição de crédito, fatores que dificultam negociações com os clientes. Apesar disso, Nogueira reforçou que os pilares do negócio permanecem sólidos: déficit estrutural de armazenagem, diversificação de atuação e controle de despesas.
Entre os segmentos com melhor desempenho no trimestre, destacam-se Portos e Terminais, com alta de 97,4% na receita, e Negócios Internacionais, que cresceram 23,6%, impulsionados pelas vendas à Argentina, responsável por 17% das vendas internacionais da companhia, ante 3% no ano anterior. A Kepler também finalizou o maior projeto internacional de sua história, destinado a uma agroindústria de arroz na Venezuela, com pagamento integral antecipado.
O segmento de Reposição e Serviços avançou 10,8%, enquanto Fazendas e Agroindústrias apresentaram retrações de 3,2% e 30,6%, atribuídas a estiagens na Região Sul, crédito rural restrito e base de comparação elevada em 2024.
Para 2026, a empresa projeta um pipeline de pedidos mais robusto, incluindo ampliações de armazéns, grandes plantas industriais para processamento de grãos e produção de etanol e biodiesel, além de iniciativas voltadas à pecuária e parcerias com empresas de logística, tradings e seguradoras.
O balanço ainda apontou queda de 3% nas despesas gerais e administrativas no trimestre e de 4% no acumulado do ano. O ROIC ficou em 21%, considerado saudável, e a posição de caixa líquido positivo foi de R$ 31,1 milhões, mesmo após o pagamento de R$ 95 milhões em dividendos nos nove primeiros meses, equivalente a um payout de 103,8%.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Globo Rural




