Nesta terça-feira, 21 de outubro, o município de Não-Me-Toque foi palco do evento Encontros Formativos 2025, uma iniciativa que reuniu representantes de diversas Apaes do Estado, com o propósito de fortalecer o movimento apaiano, promover a troca de experiências e ampliar o diálogo sobre a importância do acolhimento, da educação e da inclusão social das pessoas com deficiência intelectual e múltipla.

A equipe jornalística da Rádio Planetário acompanhou o encontro, que contou com a presença de representantes das Apaes de Campos Borges, Espumoso, Ibirubá, Não-Me-Toque, Selbach, Soledade, Tapera e Victor Graeff. O evento foi marcado por palestras, depoimentos de conselheiros e rodas de conversa que abordaram o papel das famílias e o trabalho das instituições em todo o Estado.
Durante a cobertura, o jornalista Fernando Kopper entrevistou o presidente da Federação das Apaes do Rio Grande do Sul, Marco Antônio Moresco, que destacou o objetivo principal da Federação: qualificar os profissionais que atuam nas Apaes, promovendo a troca de conhecimentos sobre inclusão, assistência social, educação, lazer, saúde e empregabilidade.

Segundo Moresco, “esses encontros são momentos de grande importância, pois a Federação se desloca até o interior para fortalecer os conselhos regionais, capacitar os colaboradores e aprimorar a atuação das Apaes junto às comunidades”. O presidente destacou ainda que o acolhimento é a base de todo o trabalho: “a Apae é, antes de tudo, um local de acolhimento. É onde as famílias encontram orientação, tratamento especializado e apoio para o desenvolvimento de seus filhos e filhas com deficiência”.
Durante a conversa, Moresco ressaltou que, além da educação e do atendimento especializado, as instituições trabalham com um olhar atento às famílias. Ele reforçou que muitas vezes os pais enfrentam o desconhecimento e o preconceito dentro do próprio lar, o que torna essencial o papel da Apae em orientar e acolher. “O preconceito ainda existe, e ele começa muitas vezes dentro da própria família. A aceitação é o primeiro passo. Quanto mais cedo o diagnóstico for compreendido e tratado, maiores são as chances de desenvolvimento da criança”, afirmou o presidente.
O dirigente também lembrou que o Rio Grande do Sul conta hoje com 207 Apaes distribuídas por todo o Estado, reconhecidas pela credibilidade e pela seriedade com que conduzem o trabalho social e educacional. “Mais do que técnicos e profissionais, precisamos de pessoas comprometidas com o acolhimento. Queremos que cada criança se sinta feliz e parte da instituição”, completou.
Além de Moresco, o evento contou com depoimentos emocionantes de Justino Pasquetti, representante do 5° Conselho da Apae de Sarandi, e de Laline Fogaça, do 1° Conselho da Apae de Sapucaia do Sul, que reforçaram a importância do envolvimento das famílias na trajetória das pessoas com deficiência.
Laline relatou sua experiência como mãe de uma jovem atendida pela Apae, destacando a transformação que a instituição proporcionou em sua vida e na de sua filha. “A coordenação da família nasceu em 2018 e res
gata o protagonismo que deu origem ao movimento apaiano. As Apaes surgiram justamente da iniciativa de pais que buscavam um local de acolhimento para seus filhos. Hoje, somos um movimento consolidado, mas que continua com a mesma essência: acolher, educar e integrar”, explicou.
Já Justino relembrou os desafios enfrentados nas décadas passadas, quando as estruturas eram mais precárias e o acesso a informações e serviços especializados era restrito. “Antigamente, não existia essa organização. Hoje, a Federação está mais próxima das Apaes, interiorizando suas ações. A família precisa estar envolvida, porque o trabalho da Apae vai até certo ponto do dia — o resto depende de nós, pais e responsáveis, para dar continuidade ao desenvolvimento dos nossos filhos”, pontuou.
Ambos destacaram que o fortalecimento do vínculo familiar é essencial para o progresso das pessoas atendidas. “A primeira inclusão acontece dentro de casa”, frisou Laline. Ela também relatou a evolução da filha no mercado de trabalho, por meio do projeto Janela Aberta, que promove a inclusão de pessoas com deficiência em atividades profissionais.
O encontro em Não-Me-Toque reforçou a importância da união entre as Apaes, os profissionais e as famílias, além de reafirmar o papel fundamental da sociedade no apoio às iniciativas das instituições. Durante as falas, foi lembrado que a comunidade pode colaborar de diversas formas, participando de campanhas, feijoadas e pedágios solidários, que ajudam a manter as atividades e os projetos em andamento.
Como destacou o jornalista Fernando Kopper, “as Apaes não são apenas instituições de ensino e acolhimento, mas verdadeiros espaços de transformação social. Cada história de vida compartilhada neste encontro é um exemplo de superação, amor e dedicação, mostrando que a inclusão é construída todos os dias, com empatia e compromisso”.
O Encontros Formativos 2025 em Não-Me-Toque encerrou-se com a certeza de que o movimento apaiano segue crescendo, fortalecendo laços e inspirando famílias, educadores e voluntários em todo o Rio Grande do Sul.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper




