MDB articula mudança de estratégia para fortalecer Gabriel Souza na disputa ao governo do RS em 2026
Os articuladores do vice-governador Gabriel Souza (MDB) preparam uma série de movimentos de bastidores para redefinir a estratégia eleitoral do partido na corrida ao governo do Rio Grande do Sul em 2026. O objetivo é consolidar o entendimento entre os aliados de que Gabriel reúne as melhores condições para liderar o projeto de sucessão do governador Eduardo Leite (PSD), além de conter especulações de que Leite poderia apoiar outro nome para a disputa.
As mudanças são motivadas por fatores políticos e estratégicos, como o fato de Gabriel aparecer apenas na quarta colocação em levantamentos recentes de intenção de voto, sem atingir dois dígitos, e pelo aproximamento de partidos da base com siglas da oposição, a exemplo do PP e do Republicanos com o PL, e do PDT com o PT.
O movimento ganhou força após uma reunião de “realinhamento” promovida pelo governador Eduardo Leite com lideranças dos partidos aliados, na semana passada. No encontro, Leite reafirmou a importância da unidade da base e sinalizou que a definição do candidato à sucessão será tomada mais adiante, levando em consideração pesquisas e o cenário político de 2026. A fala do governador gerou apreensão entre emedebistas, que desde 2022 tratam Gabriel como sucessor natural — fruto de um acordo político firmado após as últimas eleições.
Outro ponto que causou desconforto no MDB foi a possibilidade de Leite permanecer no cargo até o fim do mandato, descartando disputar outro posto em 2026. A hipótese, se confirmada, frustraria o plano do partido de ver Gabriel assumir o governo ainda no próximo ano, condição que lhe daria maior visibilidade e poder de articulação política durante a campanha.
Nos bastidores, lideranças emedebistas afirmam que a indefinição de Leite enfraquece o planejamento da sigla. “Se o governador não sair, é claro que dificulta nosso projeto. Gabriel, no cargo de governador, teria outra condição de disputa”, avalia um integrante do MDB envolvido nas negociações.
Descontentamento e reposicionamento interno
Apesar do discurso público de unidade, a relação entre o MDB e o Palácio Piratini vive um momento de tensão. Há desconfiança dentro do partido sobre as reais intenções de Leite em relação à candidatura de Gabriel. Emedebistas próximos ao vice reconhecem que a antecipação do seu nome e as declarações anteriores de apoio do governador acabaram sendo usadas por setores do PP e do Republicanos como justificativa para aproximações com o PL, enfraquecendo a base governista.
Ainda assim, o presidente estadual do MDB, deputado Vilmar Zanchin, nega qualquer ruptura e garante que Gabriel Souza será o candidato do partido. “O nome do MDB é o Gabriel. Temos a certeza de que ele é o mais preparado, entende o funcionamento da máquina pública e reúne as melhores condições para representar o projeto. Isso não vai mudar”, afirmou.
Mesmo diante das incertezas, o MDB aposta em reforçar a presença pública de Gabriel, ampliando seu espaço na propaganda partidária e em encontros regionais preparatórios para 2026. O congresso estadual do MDB, marcado para 29 de novembro, deve oficializar sua pré-candidatura ao governo do Estado, consolidando o início da nova fase da campanha e o esforço da sigla para dar identidade própria ao vice-governador diante das indefinições no campo aliado.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Correio do Povo




