APROSOJA RS contesta projeções otimistas da Conab sobre a safra de soja 2025/2026
A principal entidade representativa da sojicultura gaúcha, a Associação dos Produtores de Soja do Rio Grande do Sul (Aprosoja RS), manifestou preocupação e discordância em relação às projeções divulgadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra 2025/2026.
De acordo com o levantamento da Conab, a área destinada ao cultivo de soja no Estado deve crescer 1% em relação à safra anterior, alcançando 7,2 milhões de hectares, com produtividade média estimada em 3.129 kg por hectare — aumento de 33,6% — e produção total de 22,4 milhões de toneladas, o que representaria alta de 34,9%.
O presidente da Aprosoja RS, Ireneu Hort, contesta os números e afirma que a realidade enfrentada pelos produtores no campo não condiz com o cenário otimista apresentado pela instituição federal. Segundo ele, fatores climáticos adversos, dificuldades de acesso ao crédito e altos juros inviabilizam a expansão da área plantada.
“A Conab está anunciando uma área maior que a do ano passado, mas isso é praticamente impossível. Muitos produtores ainda enfrentam restrições financeiras e não conseguiram acesso aos financiamentos necessários para o custeio”, destacou Hort.
Ele também chamou atenção para as exigências rigorosas nos novos financiamentos, como penhor e hipoteca de terras, o que limita ainda mais a adesão dos agricultores. Com isso, Hort acredita que parte das áreas arrendadas e até propriedades próprias poderão ficar sem cultivo, especialmente na metade sul do Estado.
Outro ponto levantado é a redução no uso de tecnologia e insumos, consequência direta da conjuntura econômica. “Muita lavoura será plantada com semente branca, pouca adubação e sem a devida correção do solo. Assim, dificilmente alcançaremos a produtividade média histórica do Rio Grande do Sul”, afirmou.
Hort estima que, em condições climáticas normais, a produção estadual possa atingir entre 19 e 21 milhões de toneladas, número inferior ao projetado pela Conab, mas ainda superior à última safra, de cerca de 13 milhões de toneladas.
AProSoja RS considera mais realistas as projeções da Emater/RS, que apontam 6,74 milhões de hectares cultivados e 21,44 milhões de toneladas produzidas, o que representa 500 mil hectares e 1 milhão de toneladas a menos que os cálculos da Conab.
Por fim, o dirigente reforçou a importância de os produtores não deixarem de plantar, mesmo diante das dificuldades. “Quem não planta, perde o poder de negociação. É melhor produzir menos, mas ter o que apresentar aos credores e cooperativas”, orientou Hort.
📍 Reportagem: Fernando Kooper — Redação Jornalística da Rádio Planetário




