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Soledade fortalece combate à violência contra a mulher em meio a aumento de feminicídios no RS

Soledade fortalece combate à violência contra a mulher em meio a aumento de feminicídios no RS
17.10.2025 08h00  /  Postado por: villaadriano

Nesta quarta-feira, 15/10, o jornalista Fernando Kopper esteve em Soledade para uma entrevista exclusiva com a Delegada Regional da 24ª DPRI, Fabiane de Vargas Bittencourt. O foco da reportagem foi o preocupante aumento dos casos de feminicídio no Rio Grande do Sul, tema de extrema relevância social e que exige atenção constante de autoridades e da comunidade. A entrevista foi transmitida pela Rádio Planetário e trouxe detalhes sobre as ações preventivas, repressivas e educativas adotadas pela Polícia Civil para proteger mulheres vítimas de violência.

A delegada Fabiane ressaltou que, apesar da redução expressiva dos homicídios na região de Soledade, o feminicídio continua sendo um desafio complexo. “Diferente de outros tipos de crime, que possuem padrões ou vínculos com atividades criminosas como o tráfico de drogas, o feminicídio ocorre, na maioria das vezes, dentro do ambiente familiar, sem uma lógica previsível”, explicou. Ela enfatizou que dados estaduais indicam que cerca de 70% das vítimas de feminicídio não haviam registrado ocorrência policial antes do crime, evidenciando a necessidade urgente de conscientização e ação preventiva.

Segundo Fabiane, o registro policial é uma ferramenta essencial de proteção. “O simples ato de registrar uma ocorrência pode salvar vidas. Denunciar situações de violência ativa mecanismos de proteção, permite a aplicação de medidas preventivas e reduz significativamente o risco de feminicídio”, afirmou. Em 2025, a região de Soledade não registrou nenhum caso de feminicídio até o momento, reflexo direto do trabalho preventivo e do aumento das denúncias e pedidos de medidas protetivas.

Entre as ações implementadas, destacam-se a Sala das Margaridas, espaço de acolhimento humanizado voltado ao atendimento de mulheres vítimas de violência, e o uso de tornozeleiras eletrônicas. “As tornozeleiras permitem monitorar agressores em casos de medida protetiva, garantindo a segurança das vítimas. Os dados mostram que mulheres com medidas protetivas têm muito menos chances de se tornarem vítimas de feminicídio”, explicou a delegada.

Outro ponto importante da entrevista foi a criação da Draco (Delegacia de Repressão ao Crime Organizado) em Soledade, unidade especializada no combate a organizações criminosas. Segundo Fabiane, a Draco contribui indiretamente para a redução da violência contra a mulher, ao desmantelar redes que fomentam outros tipos de crimes, incluindo homicídios. A delegacia atende não apenas Soledade, mas toda a região, abrangendo municípios como Espumoso, Tapera, Ilópolis, Anta Gorda, Fontana Xavier e outros, ampliando a capacidade de resposta a crimes de maior complexidade.

Durante a entrevista, o jornalista Kopper questionou a delegada sobre o medo que muitas mulheres sentem em denunciar casos de violência, preocupadas com represálias, risco aos filhos ou à própria integridade. Fabiane explicou que a Polícia Civil dispõe de protocolos eficientes que permitem a decretação de medidas protetivas em poucas horas. “Em casos de risco elevado, as vítimas podem ser encaminhadas a abrigos em cidades maiores, garantindo proteção imediata sem exposição a novos perigos”, afirmou.

A delegada também destacou a importância de programas educativos e de conscientização. Palestras, campanhas e orientações individuais têm sido promovidas em escolas, comunidades e centros de atendimento, com o objetivo de alertar as mulheres sobre os sinais de violência e instruí-las sobre como buscar ajuda. “A prevenção é tão importante quanto a repressão. Precisamos orientar e empoderar as mulheres para que denunciem e saiam de situações de risco”, disse Fabiane.

Em relação à repressão, a delegada explicou que o trabalho da Polícia Civil combina ações educativas com monitoramento, investigação e prisão de autores de crimes, garantindo que medidas protetivas sejam cumpridas e que agressores respondam judicialmente. A redução de homicídios em Soledade em 2025, com queda de cerca de 90% em relação a anos anteriores, e a ausência de feminicídios na região evidenciam a eficácia desse conjunto de estratégias.

Durante a conversa, Fabiane também contextualizou a temática com o Outubro Rosa, mês de conscientização sobre saúde e autocuidado da mulher. Segundo ela, o cuidado com a saúde física e emocional está diretamente ligado à proteção contra violência, já que mulheres com suporte e orientação adequada tendem a romper ciclos de violência e buscar ajuda de forma mais segura.

A delegada destacou ainda o histórico de sua gestão, iniciada em 2019, quando assumiu compromissos voltados ao atendimento de grupos vulneráveis, incluindo mulheres, crianças, idosos e animais. Além da criação da Sala das Margaridas, ela implementou o primeiro cartório de animais do estado e estruturou a Draco, fortalecendo a atuação da Polícia Civil na região. “Nosso objetivo é oferecer um atendimento humanizado e eficiente, garantindo proteção e justiça a todos os cidadãos”, afirmou.

Fabiane Bittencourt concluiu reforçando que o enfrentamento à violência contra a mulher exige envolvimento da sociedade, das autoridades e das próprias vítimas. Ela ressaltou que medidas preventivas, acompanhamento policial, registro de ocorrências e medidas protetivas são instrumentos efetivos de proteção. “Mulheres que denunciam reduzem suas chances de serem vítimas. O sistema funciona e está preparado para acolher, proteger e orientar”, finalizou.

Com informações: Jornalista Fernando Kopper

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