Especialista em meteorologia e negócios rurais alerta para impacto do fenômeno La Niña
Na tarde desta quinta-feira (16), o jornalista Fernando Kopper, da Rádio Planetário, esteve em Ibirubá para uma entrevista exclusiva com o especialista em meteorologia e negócios rurais Márcio Ücker, que abordou as previsões climáticas e os impactos do La Niña na agricultura do Rio Grande do Sul. A conversa ocorreu no escritório do profissional, que há mais de 30 anos atua no setor e mantém uma estação meteorológica própria no município.
Durante a entrevista, Ücker explicou de forma detalhada o funcionamento do fenômeno, que consiste no resfriamento das águas do Pacífico Equatorial, alterando o regime de chuvas em diversas partes do planeta. Segundo o meteorologista, o La Niña já está confirmado e deve atuar entre outubro e fevereiro, com redução significativa nas precipitações, o que traz preocupação aos produtores gaúchos.
“O maior desafio do produtor é o clima. Já são cinco frustrações seguidas de safra no Estado, quatro por seca e uma por enchente. O La Niña é um período de chuvas escassas, e isso naturalmente gera apreensão, pois atinge diretamente o milho e a soja, culturas fundamentais para a economia regional”, afirmou Ücker.
O meteorologista destacou que os dados do NOAA, órgão norte-americano responsável pelas medições, apontam temperaturas 0,5°C abaixo da média nas águas do Pacífico, configurando oficialmente o fenômeno. A previsão indica menos chuva nos meses de novembro, dezembro e janeiro, o que deve afetar o período de floração e formação dos grãos.
Apesar do cenário, Ücker reforçou que o evento deve ser de curta duração e intensidade moderada, com melhora gradual a partir de fevereiro, quando o resfriamento tende a se estabilizar e dar lugar a uma fase de neutralidade climática, favorecendo o retorno das chuvas.
O especialista ressaltou que o produtor rural deve adotar estratégias preventivas, como ajustar o calendário de plantio, optar por variedades de ciclo mais tardio e avaliar o uso de tecnologias de irrigação, quando possível. “Cada produtor precisa fazer o seu tema de casa, conhecer o seu solo e determinar a melhor estratégia para reduzir perdas e garantir rentabilidade”, destacou.
Na conversa com a Rádio Planetário, Ücker também analisou o aumento dos eventos climáticos extremos no país, como ciclones, tornados e chuvas torrenciais, que se tornaram mais frequentes nos últimos anos. Para ele, a rápida transição entre fenômenos como El Niño, neutralidade e La Niña, aliada ao aquecimento global, intensifica a ocorrência desses eventos.
“Essas mudanças rápidas entre os fenômenos trazem desequilíbrios. A temperatura do planeta sobe pouco, mas o suficiente para alterar o comportamento do clima e gerar eventos extremos com mais frequência”, explicou.
O consultor ainda abordou o impacto direto do clima na economia regional. Segundo ele, a sequência de estiagens e enchentes tem provocado reflexos em cadeia, afetando não apenas o campo, mas também o comércio e os serviços urbanos. “O agronegócio movimenta toda a economia. Quando o produtor sofre, todos os setores sentem, desde o comércio até o mercado imobiliário”, afirmou.
Encerrando a entrevista, Ücker detalhou o funcionamento de sua estação meteorológica em Ibirubá, composta por mais de 27 sensores que monitoram temperatura, vento, umidade, precipitação e condições do solo em tempo real. Os dados são enviados automaticamente para a nuvem e analisados por aplicativos especializados, contribuindo com informações precisas para agricultores da região.
“A tecnologia nos permite acompanhar o comportamento do clima quase minuto a minuto. Isso ajuda o produtor a tomar decisões mais seguras e assertivas”, concluiu.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper




