No Dia do Rádio, a experiência de jornalistas e ouvintes reforça a importância desse meio de comunicação que, mesmo diante das transformações digitais, mantém-se como ponte essencial entre fatos globais e comunidades locais.
De Lisboa, o jornalista Norberto Notari, correspondente da Rede Alumais/Grupo Rádio WEB, lembrou de episódios recentes em Portugal e Espanha, quando apagões de energia e internet deixaram o rádio como única fonte de informação para milhares de pessoas. “Foi no rádio de pilha que a notícia continuou circulando. A conta-gotas, mas chegou”, destacou.
O poder de proximidade do rádio também foi ressaltado por Ulisses Galetti, apaixonado por escuta internacional. Para ele, ouvir transmissões de outros países é como estar presente nos acontecimentos em tempo real.
A correspondente Maria Paula Carvalho, da Rádio França Internacional, relatou os desafios de traduzir o contexto político e cultural europeu para o público brasileiro. Ela lembrou a cobertura dos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024, quando o foco esteve nos atletas brasileiros.
Já Leda Letra, ex-repórter da ONU News em Nova Iorque, reforçou a responsabilidade de explicar em português decisões complexas tomadas no Conselho de Segurança da ONU, além de cobrir situações de conflito com a voz de funcionários da ONU que falam a língua portuguesa.
Na Itália, os jornalistas Paula Ferreira e Walter Fernandes, da Rádio Transmundial, também destacaram a missão de transformar o microfone em ponte entre brasileiros no exterior e as notícias internacionais, adaptando o conteúdo ao perfil do público da emissora.
Para ouvintes como Marco Antônio Diógenes, o rádio mantém sua relevância mesmo em meio às novas mídias: “Ele é rápido, acessível em qualquer lugar e faz com que eu me sinta próximo dos fatos globais”.
O então presidente da Abert, Flávio Lara Rezende, também recordou, em encontro com jornalistas, o papel social do rádio na Europa durante os apagões: “Foi a prova de que, mesmo em tempos digitais, o rádio continua indispensável”.
Do outro lado do Atlântico, a mensagem é clara: o rádio não apenas informa, mas aproxima. Faz do ouvinte parte da história, cria pertencimento e transforma distâncias em diálogos.
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