O produtor rural Paulo Peter é mais um exemplo de empreendedorismo familiar no meio agrícola. Ele cultiva hortaliças em Espumoso e, com dedicação, transformou uma pequena área de dois mil metros quadrados em uma propriedade produtiva de 1,2 hectare. O foco principal é o repolho, mas Paulo também produz brócolis, couve-flor, tempero verde, alface americana, radite, chicória e couve chinesa.
Segundo ele, a atividade começou de forma modesta com o apoio de um amigo produtor, Inácio. No início, a falta de apoio da família e a incerteza quanto à rentabilidade foram obstáculos. “Começamos devagar, cultivando repolho. Hoje, conseguimos manter produção constante e qualidade nos produtos”, destaca.
Paulo faz entregas em supermercados, fruteiras e diretamente aos consumidores. A Cotriel é uma das principais parceiras, com distribuição para filiais da região, além de roteiros semanais nos bairros Arroio, Luiz Parisotto e São Valentim. A logística e a entrega direta contribuíram para consolidar a clientela e manter a renda da família.
Na propriedade, trabalham ele, um funcionário fixo e familiares. Entre os principais desafios estão o clima e as variações de mercado. “Tudo é a céu aberto. Tivemos perdas com as chuvas e geadas recentes, mas seguimos com esperança de dias melhores”, relata. Mesmo com dificuldades, a produção se mantém rentável, superando até mesmo culturas como a soja em termos de retorno financeiro por área cultivada.
O apoio técnico da Emater é fundamental, especialmente na análise de solo. Paulo utiliza cama de aviário e experimenta alternativas como o uso de resíduos da produção de cogumelos para adubação. “Quanto menos agrotóxico, melhor. Procuramos respeitar os prazos de carência e entregar sempre um produto de qualidade”, ressalta.
A diferença, segundo ele, está no frescor. “Nosso produto é colhido e, em uma ou duas horas, já está no mercado. Isso garante sabor e qualidade muito superiores aos produtos que vêm de fora”, defende.
O ciclo do repolho, carro-chefe da produção, gira em torno de quatro meses. Brócolis e couve-flor seguem prazos semelhantes, enquanto as folhosas são colhidas em cerca de 40 dias no inverno, podendo ser antecipadas no verão.
Paulo, que trabalhou por oito anos com outro produtor antes de empreender sozinho há cerca de quatro anos, incentiva quem deseja investir em culturas alternativas. “No começo é difícil, exige coragem e disciplina. Mas a rentabilidade compensa. Trabalhar por conta tem riscos, mas também liberdade e boas recompensas”.
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