Proposta de jornada de 4 dias pode elevar custos em até 30%, alerta relator
O relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 8/2025, deputado federal Luiz Gastão (PSD-CE), alertou para o possível impacto econômico da proposta que prevê o fim da escala 6×1 e a adoção de uma jornada semanal de quatro dias. Segundo o parlamentar, estudos indicam que a medida pode aumentar em até 30% o custo da mão de obra nas empresas.
De autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), a proposta reduz a jornada máxima semanal para 36 horas, distribuídas em quatro dias, substituindo o modelo tradicional previsto na Constituição. Luiz Gastão afirma que, da forma como está, o texto não garante os benefícios esperados aos trabalhadores e representa um ônus direto para o setor produtivo e para o consumidor.
O posicionamento do relator é apoiado pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), que pede cautela diante do cenário econômico. “Não é o momento para discutir a redução da jornada. Isso pode prejudicar a competitividade e a geração de empregos”, avaliou Ernesto João Reck, presidente em exercício da entidade.
Uma pesquisa do Instituto Genial/Quaest, feita com 203 deputados federais, mostra que 70% são contrários à proposta, incluindo 55% da base do governo. Entre os parlamentares da oposição, o índice sobe para 92%.
Luiz Gastão já articula uma audiência pública para o início de agosto. O objetivo é ouvir empresários e trabalhadores e construir um relatório equilibrado, baseado em dados técnicos. Para ele, o setor produtivo precisa ser valorizado. “O salário pago pelas empresas vira renda, consumo e arrecadação. O empresário não pode ser visto como vilão. Ele é quem move a economia”, afirmou.
Atualmente, o setor privado é o maior gerador de empregos formais no Brasil. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, o país encerrou 2024 com 46 milhões de empregos com carteira assinada — crescimento puxado principalmente pelos setores de serviços, comércio e construção.
Fonte: Brasil 61




